Se me pedissem para definir esta obra com uma só frase, eu diria que ela é "uma aventura inesquecível de um contra-senso absolutamente surreal, porém viável".

João Carlos Marinho, autor de Sangue Fresco.
Enquanto eu lia este livro, a cada aberração eu pensava "esse é o cara", "bendita foi a hora que decidi ler aqueles livros antigos" etc.
Trata-se de um grupo de amigos que é seqüestrado e levado à Amazônia. Os seqüestradores fazem parte de uma companhia transnacional que vende o sangue de crianças brasileiras para o exterior.
Confira uma das inúmeras passagens memoráveis:
Um vendedor de Kibon vinha empurrando a sua carrocinha de sorvete, de repente pulou na capota do Landau do gordo, começou a gesticular e a fazer discurso.
A multidão saiu dos automóveis e foi lá escutar, uns comendo laranja, outros chupando limão, uns tomando cachaça e outros mastigando churrasquinho, quase todos sem camisa e suando pelos cabelos.
– O mundo acabou ontem – dizia o vendedor de Kibon em cima da capota do gordo – Estamos no vale de Josafá, somos almas penadas indo para o Julgamento Final. Deus está no pedágio, julgando cada um que passa. Os gordos que andam de Landau serão julgados com muita severidade, a gordura dos gordos de Landau humilha os pobres esqueléticos que nadam a pé. Nhé Nhé Nhé."
Sentiu o surrealismo? 
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